PROVÍNCIA DO HUAMBO
HUAMBO DIGITAL – Cidade Viva!
Não deixa de ser interessante transcrever aqui uma lenda, nos termos da qual o Huambo teria sido o berço da Humanidade.
- Informações detalhadas da província.
- Mapas
- Dados
- A Lenda
- A Historia
- Ocupação militar do território pelos portugueses
- Colonização
- Cidade do Huambo
- Auto da fundação da Cidade do Huambo
- Características Naturais
A Lenda
Não deixa de ser interessante transcrever aqui uma lenda, nos termos da qual o Huambo teria sido o berço da Humanidade.
No extremo meridional da Província, junto confluência do Cunhungâmua com o Cunene, pusera Deus, um dia, o primeiro homem, que se chamou Féti – Principio.
Vivia ele, entretanto, aborrecido e triste, único ente racional perdido na imensa Natureza.
Mas, em dada altura, foi sua atenção despertada por suave melodia que se elevava do grande rio. Aproximou-se. E, com enorme espanto e justificada alegria, viu surgir das águas um ser semelhante a ele. Louco de contentamento, logo apaixonado, arrebatou consigo a misteriosa aparição, a quem deu o nome de Tchoia – Enfeite, Perfeição.
Tempos depois, brindou-os o Senhor com um filho Galangue; mais tarde, uma filha-Vihe (Bié). Daquele descenderiam os Povos do Huambo, Sambo e Cuima.
A Historia
Passemos, porém, história, na tradição baseada, e por isso mesmo não totalmente isenta de influências lendárias. ” ,
O território correspondente província do Huambo é habitado por três grupos étnicos muito fracamente diferenciados: os huambos, bailundos e sambos; havendo ainda a anotar pequenas manchas de ganguelas e quiocos, sem interesse demográfico.
Aqueles se integram na tribo dos bundos, ramificação dos bantos que em época remota abandonaram o vale do Nilo, dirigindo-se para o sul e ocupando progressivamente quase toda a África aquém -Sáara. ,
Torna-se bastante difícil determinar os termos em que se verificou a fixação destes povos em terras do Huambo. Neste ponto, anda a história misturada com a lenda, e qualquer destrinça se apresenta quase impossível Mas é incontestável que desceram do Norte, após incerto período de permanência nas vizinhanças do Kuanza.
A Rainha Jinga, sustentara prolongada luta contra os portugueses, colaborando, por interesse próprio e na medida de suas conveniências, com os holandeses, então senhores de Luanda. Expulsos estes por Salvador Correia, e submetida a célebre heroína negra autoridade de Portugal, o receio de represálias dos portugueses levou os sambos, huambos e bailundos, que a haviam apoiado, a abandonarem seus paises e afastarem-se para longe da capital, empurrando sua frente quantos encontraram pelo caminho, em especial os ganguelas, assim forçados a transferir-se para as margens do Cubango.
Os primeiros (sambos), após curta permanência no Candumbo, fixaram-se definitivamente na região que de seu chefe recebeu o nome- Sambo (Contagioso).
Identicamente sucedeu aos seguintes ( huambos), cujo soberano, Wambu- Kalunga (Grande -Mar), se instalou inicialmente na Caala, onde sua sepultura se encontra, ladeada de duas outras, ao que se julga de dois escravos sacrificados para o servirem no outro mundo ou, segundo alguns, duas de suas numerosas mulheres.
Reza a lenda que Wambu era um grande apreciador de carne humana, preferindo as tenras crianças, o que levou parte do seu povo a abandoná-lo fugindo uns para a Ganda e outros para o Candumbo.
Os que se fixaram no actuam município do bailundo eram chefiados por Kalwelwe que reinou a primeira ombala no município e teve um filho que era Katiavala que apos alguns anos decide deixar a ombala onde seu pai era rei e só volta a quando da morte do mesmo tornando-se rei.
Katiavala, descontente com o nome encontrado na ombala apos o reinado de seu pai e muitos outros reis, decidiu reunir o seu conselho para encontrarem um nome correspondente aos seus desejos.
“Reza a tradição que Katiavala ao refrescar-se depois do encontro deparou-se com uma toupeira. O aparecimento de uma toupeira é um facto raro porque, a toupeira é um animal que anda debaixo da terra. Para esta tribo o seu aparecimento significa prosperidade ou êxitos no que se faz. Foi assim que Katiavala decidiu colocar o nome de OMBALA-ELUNDU estas palavra têm os seguintes significados na língua umbundu:
OMBALA (significa palácio) e ELUNDU (significa montanhas).Isto se deveu ao facto de a ombala situar-se entre duas montanhas.
O Rei ao regressar a Ombala (palácio), contou o facto aos outros participantes que concordaram em dar o nome as suas ombalas nome que abrangeu a totalidade da região sob tutela deste grande rei.
Com o passar do tempo, muitos outros reis passaram por ai e o nome não mudava.
O segundo grupo fixou-se no actual município da Kaala quando Wambu Kalunga o rei desta outra tribo consegue caçar um elefante naquela região entre as montanhas de Kawé e Nganda constrói no local uma ombala, As pessoas que viam do Kwando Kwbango para Benguela, Kwanza-Sul e vice-versa, para fazerem a permuta da borracha, sal, óleo de palma etc, faziam da ombala o lugar para pernoitarem. Foi assim que eles diziam vamos pernoitar no Soba Wambu e alguns com a força do habito diziam no Wambu.
O tempo passou e com a chegada dos portugueses, estes nomes foram aportuguesados foi assim que o Wambo passa a chamar-se Huambo e Ombalaelundu Bailundo. Portanto, o nome da província do Huambo nasce destes grandes reis que marcaram a história deste povo.
OCUPAÇÃO MILITAR DO TERRITÓRIO PELOS PORTUGUESES
Huambos e bailundos eram povos irrequietos e guerreiros, em constantes conflitos com os vizinhos, cujas terras arrasavam, atingindo em suas avançadas a Catumbela, Quilengues, Quipungo, Humbe, sem poupar o histórico presidio de Caconda.
Tais factos motivaram o envio de numerosas expedições de portugueses, algumas das quais redundaram em pesadas baixas para os europeus , outras atingindo seus objectivos.
Entre estas, merece especial menção a de 1773, não apenas em seu aspecto puramente militar como, sobretudo, pelo percurso efectuado, a que forçosamente haviam de corresponder as mais tremendas dificuldades e privações.
Efectivamente, duas colunas partiram para o interior, uma de Luanda e outra de Benguela, esta por Caconda, aquela por Pungo-Andongo, reunindo-se finalmente em Quingolo (Cuima), para de novo se separarem no Quipeio, regressando aos respectivos pontos de partida, mais de dois anos passados, após haverem submetido e avassalado os principais chefes planálticos, entre eles os do Huambo, Bailundo e Sambo.
Porém, a ausência de ocupação efectiva originou novas desordens, culminando com a revolta do Bailundo, Bié e Huambo, em 1902.
A gravidade da situação exigia dos portuguese medidas enérgicas, que se traduziram no avanço de três colunas militares contra os revoltosos: – a do Libolo, comandada pelo tenente Pais Brandão, que vence os principais chefes locais; a do Norte, sob o comando do capitão Massano de Amorim, que de Benguela segue pelo Bocoio, Balombo e Luimbale, con- solidando ali a nossa autoridade; e a do Sul, dirigida pelo capitão Teixeira Moutinho, que se concentra em Caconda, ocupando seguidamente o Huambo.
A fim de evitar a repetição de acontecimentos deste género e para garantia da paz e tranquilidade dos povos, estabelecem-se redutos fortificados em diversos pontos do Planalto, a cujos comandantes é conferida competência civil, a par das suas funções militares.
Colonização
Com o progressivo descobrimento da costa africana, os portugueses iam-se fixando no litoral, fundando povoações e contactando com os naturais, que desde a primeira hora procuraram trazer ao convívio da civilização e ao seio da Igreja Católica.
Nem sempre, contudo, esses pacíficos intentos foram compreendidos, ou aplicados, e dai a série longa de lutas atrás referidas. Mas também é verdade que o espirito aventureiro dos portugueses levou muitos a embrenharem-se pelo sertão, estabelecendo-se um pouco por toda a parte e assim concorrendo para a melhoria de relações entre africanos e europeus.
No tocante ao então Distrito do Huambo, é incontestável que os primeiros contactos foram estabelecidos através do Bailundo, parecendo certo que com estas terras comerciou o capitão -general D. Manuel Pereira Forjaz, em 1610, seguido pouco depois pelos funantes de Benguela e Catumbela, aqueles por intermédio de Caconda.
Em 1770 ou 71, o governador Sousa Coutinho fundou a povoação de Nova Golegã, onde se instalou um juiz-regente, representante do Governo junto do soba. Parece ter sido José Francisco da Cunha o primeiro a desem- penhar estas funções, outros se lhe seguindo, com frequentes intervalos, até que, em 1885, Silva Porto, nomeado capitão-mor do Bié e Bailundo, estabe- lece definitivamente a autoridade civil naquelas paragens, com carácter de permanência. Três anos depois, é substituido por Teixeira da Silva, que vai residir para Belmonte, fixando-se mais tarde no Catape, a partir de 1891, quando se dá o desmembramento da capitania.
Em 16 de Julho de 1902 é criado o concelho do Bailundo, com os postos militares do Balombo, Huambo, Luimbale, Galanga, Cassongue, Sambo e Bimbe, em 1911 transformados em postos de policia civil. Em 1904, é nomeada a primeira comissão municipal.
Em 1769, o mesmo governador Sousa Coutinho fundou no Quipeio a povoação de Paço de Sousa. Nada se sabe quanto sua existência, que deve ter sido efémera.
É de crer que o primeiro regente da província do Huambo tenha sido João dos Santos Moura, em actividade nos fins do século XVIII e princípios do XIX. Em meados deste, deixou de existir autoridade civil nesta região, o que permitiu o regresso desordem e anarquia.
Após a campanha de 1902, foi instalado na Quissala um posto militar, sob a jurisdição do Bailundo. Elevado a comando em 1909, foi em 1911 transformado em concelho. Neste mesmo ano foi também estabelecida a primeira comissão municipal.
Do concelho do Huambo se desmembraram sucessivamente os da Caala (primeiro, Lépi), em 1922; o da Bela Vista, em 1957; e o da Vila Nova, em 1960.
Em 1934, surgiu o Distrito, integrado na provincia de Benguela, da qual se desintegrou em 1954.
Foi ainda Sousa Coutinho o fundador da povoação de Linhares, no Galangue, em 1769, ignorando-se a identidade do primeiro regente, cuja jurisdição se estendia ao Sambo.
Em 1806, Francisco Lucas da Fonseca passou a intitular-se juiz- -regente da província do Galangue e Sambos, neste último sobado tendo sua residência e ali exercendo sua autoridade até 1821.
A partir desta data, deixou o Governo Português de ter representante qualificado nesta região.
Em 1902, foi criado o posto militar do Sambo, mais tarde transformado em civil, e hoje pertencente ao Município da Tchikala Tcholoanga.
Cidade do Huambo
Ao longo do período colonial a política portuguesa era de desenvolvimento do interior para descongestionar o litoral. O General Norton de Matos era na altura Governador Geral de Angola.
A cidade do Huambo foi fundada em 21 de Setembro de 1912. A cidade deu um grande impulso para a vida social e econômica, principalmente no ramo do comércio, agricultura, pecuária, construção de infra-estruturas sociais. Estes efeitos foram bastante positivos e significativos para o desenvolvimento da província, o que veio a torna-la na segunda maior do país, e considerada como a segunda capital do país, por intermédio do primeiro Governador Artur Castro Soromenho, isto é, em 1928 passando a chamar-se nesta época de Nova Lisboa. O nome de Nova Lisboa vigorou até 11 de Novembro de 1975, data da independência de Angola.
AUTO DA FUNDAÇÃO DA CIDADE DO HUAMBO
(Os textos que se seguem, foram extraídos, do Boletim Cultural do Huambo nº 15, de Setembro de 1962)
Aos vinte e um dias do mês de Setembro de mil novecentos e doze, nesta Cidade do Huambo e Sala da Administração da Circunscrição onde se encontravam reunidos Sua Excelência o Governador-Geral da Província de Angola José Mendes Ribeiro Norton de Matos, Sua Excelência o Governador do Distrito de Benguela Manuel Espregueira Góis Pinto, o presidente e mais vogais da Comissão Municipal do Huambo, grande concurso de funcionários e residentes da cidade, foi por Sua Excelência o Governador-Geral inaugurada a cidade do Huambo, criada pela Portaria Provincial de oito de Agosto de mil novecentos e doze. E para constar se lavrou este auto que depois de lido vai ser assinado por Sua Excelência o Governador-Geral, por Sua Excelência o Governador do Distrito, Comissão Municipal e todos os presentes.
(Assinados) J. M. R. Norton de Matos -Manuel Espregueira Góis Pinto -Arlur Ernesto de Castro Soromenho -Alfredo da Silva Alcobia – João A ntunes Varela -A madeu Bettencourt Reys -V ictor Primo A nselmo -H. Fussel Vice-Cônsul da Inglaterra e da, Grécia-Ernesto Alberlo Walter Novais-Edward Robins-J. D. Gregory-Adolfo Pina-Basith Hell- Oscar Monteiro Torres-Francisco Coelho do Amaral-Luís C. de Almeida da C. Pereira -A. J. do Sacramento M onteiro -F. Varean -A ntónio Nogueira Mimoso Guerra-Manuel de Mesquita-Carlos Roma Machado- Joaquim AlPedrinha-Carlos Augusto dos Santos Peres-JoséNicolau Goulão J1-tnior-António Pereira Correia-António Teixeira da Cunha-W. D. Clark -João Nunes de Sousa -Sebastião Eduardo César de Sã -Alfredo Castro Correia Júnior-Josué Luís Lobo da Cruz -Álvaro Ramos Pereira Padrão -António d’ A breu Castello Branco -Laurentino José de Macedo- A. W. Carney -Eduardo Pereira Cardona -Manuel da Silva Freitas- Virgílio Beirão Fialho- Joaquim Soares de Oliveira-António Gomes Ferreira -Francisco Xavier Ferreira de Castro -José da Silva Castanheta Ribeiro- Joaquim Carvalho Barbas –Manuel Carvalho Ribeiro V iana -Luís Gomes Seabra Pena-Alfredo Marques de Carvalho-Carlos A. Mendonça e Pinto -Francisco Corte Real-Abílio Ribeiro Vazo
Características Naturais
O relevo é acidentado, caracterizado por vales e ravinas serras com muitas montanhas. As altitudes são superiores a 2.400m sendo o ponto mais alto o morro do Moco que atinge a altitude de 2.620m.
O Huambo é uma província rica em recursos hídricos. No município de Tchikala-Tchohanga (Vila-Nova) nascem os rios Keve, Kutato, Kubango e Kunene .
A província tem um clima alternante humido e seco por influência da altitude, a temperatura media por ano oscila entre 19ºC a 20ºC, Maximo e 15C a 20C mínima. É marcada por duas estações.
Os solos desta província são ricos em minerais e próprios para a prática de agricultura. A população faz desta prática a principal actividade econômica sendo a base de subsistência alimentar na província.
As principais aptidões agrárias actuais da província são: culturas arbóreo, florestais e frutíferos, produção agrícola e a pecuária em grande escala de gado bovino. Algumas espécies florestais de eucaliptos, pinheiro e cedro têm revelado excelente adaptação. Algumas espécies frutíferas como, o abacate, o maracujá, a goiaba atingem boa produtividade em condições naturais.
A pecuária extensiva tem grande potencial desde que os pastos acres naturais sejam melhorados. Nos últimos anos do período colonial, a província foi considerada como uma das principais bacias leiteiras do país.




