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Os fedores das «águas lusas»

Agualusa.jpgVia de regra, costumo a ter aparições públicas, debitando ideias e esgrimindo argumentos de razão sobre temas referentes ao desporto. E, devo dizer que, nestes exercícios de escrita abro mão do discurso na 1ª pessoa em benefício do plural de modéstia, como um professor de língua portuguesa inculcou na minha mente.

Mas, desta vez, pretendo encetar duas inflexões: primeiro, vou me embrenhar numa temática a que não me vinha habituando e, segundo, aliás já é apreensível, opto pela 1ª pessoa do singular na abordagem.

Foi triste aceder s conclusões, bastante contundentes, por sinal, do Senhor Agualusa em que reduz mediocridade a poética de Agostinho Neto, sobretudo, e, por arrasto, a de António Jacinto e António Cardoso. Eu não sei em nome de que e de quem, mas também prefiro que não me digam, o Senhor Agualusa, cujos dois primeiros constituintes do seu nome próprio (… … Agualusa) me recuso terminantemente a pronunciar, soltou a língua naqueles termos?! Em bom rigor, o escritor em causa veio dizer a todos os angolanos e ao mundo que a «Sagrada Esperança é uma obra de enganos!»; que a «Renúncia Impossível é um texto de valor nenhum!»; que o poema «Adeus Hora da Largada, afinal, não nos diz e nunca nos disse nada (logo, mal andou quem o musicou)!»; que os poemas «Eu Queria Escrever-te uma Carta e o Grande Desafio estão despidos de conteúdo literário»; etc., etc., etc. Enfim, aquele que viu “poeta” em António Cardoso apenas se iludiu!

Meus Senhores, palavras como estas devem ser encaradas, mesmo, com seriedade!? Ou terão na sua base uma componente meramente pró riso!? Terá sido aquele exercício uma tentativa de insulto, póstumo, a estas três figuras do cenário literário angolano!? Ou, então, estamos perante a um assomar definitivo das «águas lusas» que sempre regurgitaram de si, Senhor Agualusa!? E o pior de tudo é assistir ao emergir de uma advogacia, de tipo endiabrada, que lhe prestaram a partir do «ocidente». Cujo autor, mesmo dizendo não ter feito um estudo aturado sobre a arte poética de Manguxi, Jacinto e Cardoso, saiu em defesa barulhenta das suas «ensaísticas» declarações. Ora essa! Ou seja, e aqui vou me socorrer, estou vontade para tal, de expressões jurídicas para frisar que, o nosso amigo que está muito a oeste do país, assume o pedido sem se preocupar minimamente com a causa de pedir. O que é extremamente grave!

Adiantando atracagens verbais, há aqui uma dimensão heurística que não é de negligenciar. É que o Senhor Águas Lusas, perdão Agualusa, disse “eureka, eu sou o melhor crítico literário do mundo, ninguém pode comigo!”. Como sempre estamos aqui a aplaudir, de pé, mais esta proeza angolana. …Fazer o quê?! Tenha paciência, Senhor Agualusa, que não lhe vamos dar este prazer! Porque o seu caso configura, permitam-me se inovo, um crime de lesa história angolana, maxime história literária nacional. Isso sim!

Logo, fracassado que está, este ensaio enviusado, só me resta convidar pessoas que, com reconhecido mérito internacional, já se terão debruçado sobre a nossa literatura e os seus vultuosos protagonistas. Para não convocar a todos, peço apenas Dra. Inocência Marta e ao Dr. Pires Laranjeira para se pronunciarem face ao que afirmou o Senhor Agualusa ao desmeritificar aquilo que tínhamos como algo de melhor na nossa poesia engajada e não só. A menos que errado estamos todos nós, os angolanos, que sempre primamos pela sensatez, a ponto de elevarmos o Manguxi a Poeta Maior, de valorizarmos a poética «nobelística» de António Jacinto e a poética, de revolta, de António Cardoso.

Parabéns, Vasco da Gama, ou melhor, Senhor Exímio Escritor, pela descoberta tardia e pelas «águas lusas» que sempre verteram de si! Há brincadeiras e há brincadeiras, se quer que lhe diga!

F. Batalha

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