Benfica, Chiva, Kamilikinhento, Kilombo, Kalumanda, Kalundo, Kapango, S. Luís, S. José

INTRODUÇÃO

Temos diante de nós um trabalho bibliográfico fruto de uma pesquisa sobre terra que é usada para habitação nos bairros periféricos da cidade do Huambo feito por um grupo de estágios comunitários da Esso Angola Exploration em combinação com a Development Workshop Angola, orientados pela equipa de mobilização da DW -Huambo, sobretudo aos ligados à área de Pesquisa.

Desde já afirmarmos que esta pesquisa quer servir de muletas para os futuros estudos e pesquisas que se vierem a fazer nas zonas periféricas da cidade do Huambo; quer ser um material de suporte que dá em linhas gerais uma informação embora não muito profunda, a história da génese dos bairros peri-urbanos e o “modus vivendi” dos seus habitantes.

Afirmar também humildemente que este trabalho não pretende ser exaustivo, não quer por si só mostrar toda a realidade dos bairros da periferia, nem quer ser um trabalho rigorosamente científico mas sim uma contribuição simples e indicativa, para o conhecimento da realidade destes bairros, que bem poderia servir de ponto de partida de futuras pesquisas.

Nosso trabalho está dividido em duas grandes partes, na primeira fazemos exposição descritiva de cada bairro, sua localização, sua densidade populacional, a origem do bairro, as etnias e proveniência dos habitantes, suas actividades de subsistência, os serviços básicos, os anseios e perspectivas da comunidade, seus conflitos e formas de resolução, as religiões existentes, as organizações comunitárias e as organizações não governamentais que operam no bairro. Na segunda parte faremos uma exposição dos mitos, ritos, festas e danças, numa palavra, uma exposição da manifestação cultural dos bairros do Benfica, Chiva, Kamilikinhento, Kilombo, Kalomanda, Kalundo, Kapango, S. Luís e S. José.

A brochura que vamos apresentar visa essencialmente versar sobre Historiais dos bairros periféricos da cidade do Huambo, destacando sua origem, seus rituais, culturas e mitos, seu modo de vida desde os aspectos sociais aos económicos, sem no entanto pôr de parte as infra-estruturas existentes.

E acima de tudo falar do surgimento dos bairros, dos primeiros habitantes, suas proveniências, sua evolução até aos dias de hoje.

Dados recolhidos até marco de 2003. Todo texto refere-se a isso.
Se encontram enganos de dados, informem nos para melhorar próxima edição.

Benfica

Localização
Benfica fica localizado a norte da cidade do Huambo, limitado a norte por um rio, a sul pelo rio Boas Aguas, a este pelo rio Tchikusuke e a oeste pelo rio Kalute.

Numero populacional
Existe aproximadamente 83.830 habitantes.

Origem do Bairro
Antigamente foi um espaço desabitado aonde os trabalhadores dos Caminhos-de-ferro construíram cubatas provisórias, pois vinham de zonas bastante distantes, onde passavam as noites. Esta área habitada pelos funcionários do Caminho-de-ferro de Benguela recebeu o nome de Brigada, era uma zona protegida e as “rusgas” dos “Cipaios” para o contrato respeitavam esta zona. Com a vinda das famílias, surgiu a necessidade de se construir casas definitivas.

Posteriormente foi chamado “vulgarmente” por “Bairro Facada”, possivelmente porque eram os frequentes assaltos com armas brancas, atribuídos a populares provenientes de Kalulu, província do Bengo.

O nome de Benfica foi dado por um comerciante português que construiu sua casa de pau-a-pique e uma loja.

Etnias e Proveniência dos Residentes
Quase todas as etnias angolanas estão representadas. Isto segundo a explicação dos lideres do bairro.

Actividades de Subsistência
No bairro do Benfica é reduzido o número de indivíduos que praticam actividade agrícola, a maioria da comunidade trabalha no mercado informal, havendo também um número considerável de funcionários públicos. Existem também residentes carpinteiros, pedreiros, taxistas que aproveitam destas profissões o sustento do dia dia.

Organizações do Governo
Tem uma Administração de Bairro (Bandeira), onde funciona o administrador local.

Serviços Básicos
Educação
O bairro conta com 3 escolas do primeiro e segundo níveis e 3 escolas do terceiro nível.

Saúde
Existem 2 postos de saúde estatais e 1 privado pertencente às Madres da Igreja Católica.

Energia e águas
Poucas casas têm o serviço de água canalizada, estando a maioria fazer uso de de água por manivelas (instaladas por ONGs) e cacimbas tradicionais. A Energia é um serviço de que pouca gente desfruta.

Movimento Migratório
Nesta zona o movimento migratório é considerado não intenso. Pouca gente entra no bairro para viver, havendo alguns residentes provenientes de Luanda querendo comprar ou arrendar casas. Manifesta-se alguns casos de residentes que saiem para os seus Kimbos ou para bairros onde estão localizados os seus parentes.

Anseios e/ou perspectivas da comunidade
Edificação de uma paz definitiva
Construção de escolas
Formação de quadros nacionais especializados
Livre circulação de pessoas e bens
Construção de mais postos médicos
Desarmamento dos civis

Conflitos enfrentados e formas de resolução
1.Questões resolvidas na Embala, perante o soba mediante um questionário acompanhado de confissão castigo e multa:
Feitiçaria
Brigas simples
Infidelidade
Boatos e ou Fofocas
Adultérios
2. Casos graves que são encaminhados para a polícia:
Roubos
Homicídios
Ofensas corporais
Adultérios (casos mais graves)

Religiões existentes
Igreja Católica – realizam actividades sociais: têm um posto médico, doam medicamentos, têm cozinhas comunitárias, escolas e ajudam os centros de acolhimento. Sendo a denominação com maior numero de membros.
Igreja Adventista – doa roupa usada, comida, sobretudo na Unidade Penitenciária “Comarca” do Huambo.
Igreja Protestante – doa roupa usada, comida, sobretudo na Unidade Penitenciária “Comarca” do Huambo.
Igreja Tocoísta
Igreja Pentecostal
Testemunhas de Jeová

Organizações Comunitárias
Promaica – realizam actividades de ajuda aos mais necessitados
Comissão de Moradores – auscultação dos problemas da área, prestando algum apoio material

Organizações Não Governamentais que operam no Bairro
DW – trabalhando na construção de fontanários e “cacimbas”
FAS – trabalhando na recuperação de pequenas pontes, construção de escolas e lavandarias.
CICV – entregas de correspondências, sensibilização com projecção de Slides
The Halo Trust – prevenção de perigos sobre minas

Chiva

Localização e Limites Geográficos
O bairro da Chiva é um bairro que fica a leste da província do Huambo, limitado a
norte com o bairro agora abandonado do Kalipe, a este pelo bairro de S. Tarcísio e a Chianga, a sul pelo Bairro do Kalilonge da Cuca e a oeste pelo Utalamo.

Numero populacional
É um bairro com aproximadamente 8.000 habitantes.

Surgimento do bairro
É de difícil precisão a data da origem do bairro, mas os habitantes antigos que chegaram aproximadamente nos princípios dos anos 40 afirmam que já em 1917 existia a Chiva. Os mais antigos moradores do Bairro como os velhos António da Cruz, Cândido, Ernesto Kandolondjala, velho Lote, acabaram por morrer a 2 ou 3 anos.
Chiva – este nome por causa do antigo lago (na língua umbundu “Otchiva” significa “lago”). Neste lago os caminhantes das zonas mais distantes paravam para beber água. Este lago transformou-se num rio que desagua no rio Kulimahala.

Divisão do Bairro
O bairro está dividido em 8 zonas (Betânea, S. Joaquim, Teixeira, Cristo Rei, Protestante, Imaculado Coração de Maria, Rua Nova, Kafrango)

Origem dos moradores
A população actual vem dos bairros vizinhos. Uma grande parte chegou ali por motivos de insegurança nas suas áreas. Há também antigos moradores como o caso do soba que chegou a 28 de Setembro de 1942 do Bailundo. Os moradores são maioritariamente da tribo ovimbundo provenientes do:
Talamo
Kalipe
Kaluneva
Mangonga
Kahãla
Kandondo
Kapwakata
Bailundo

Actividades de Subsistência
A população é maioritariamente camponesa, existem também funcionários públicos, militares e polícias, empregados de outras empresas e comerciantes do mercado informal.

Organizações do governo
A Chiva pertence à administração C.te Vilinga. Os serviços comunitários são inexistentes.

Serviços Básicos
Saúde
Existe um Posto Médico estatal com condições mínimas e 4 Postos Médicos privados:
Posto Médico do Sr. Estevão
Posto Médico da Igreja da Betãnea (Fé Apostólica)
Posto Médico da Igreja Católica
Posto médico da Igreja Kimbanguista
O bairro não conta com promotores de saúde, mas sim com o serviço de 8 parteiras tradicionais

O saneamento é feito pela própria comunidade (o lixo é enterrado em buracos e parte deste é utilizado como estrume). Na praça cada vendedor ocupa-se do saneamento do seu próprio lugar (tem no próprio mercado um buraco onde depositam o lixo).

Educação
O bairro conta com 2 escolas do Iº Nível (105 e 106) e 1 escola do IIº e IIIº Níveis.
Obs.: há poucas crianças fora do sistema escolar, neste ano tende a aumentar por ter um grande número de crianças com idade superior a aceite para o ensino regular.

Energia Eléctrica
O bairro não conta com o bastecimento de energia eléctrica

Água
O bairro não conta com água canalizada
O bairro tem grande carência de água principalmente no tempo seco, pois secam as cacimbas. A população pode contar com 4 bombas manuais (manivelas):
1 na área Protestante
1 na Praça
1 na Betânea
1 na Paróquia do Imaculado Coração de Maria (Igreja Católica)

As ONGs
O bairro não conta com nenhum trabalho das ONGs actualmente

Movimento Migratório
Não se nota movimento nem de entrada nem de saída da população, embora agora tem aparecido algumas pessoas para passar o dia no bairro provenientes das matas, mas que voltam a noite para as matas.

Sucessão dos sobas
O soba é escolhido por consenso (reúnem-se os mais velhos dos bairros), antigamente a sucessão era feita por linhagem, só os da linhagem do soba podiam ser eleitos sobas. Hoje é feita a eleição por consenso dos mais velhos do bairro, escolhe-se o sucessor pelas suas qualidades de idoneidade, responsabilidade, trabalho, respeito etc.

Nome dos sobas que passaram pelo bairro
Kakundumba (mais antigo que se sabe aproximadamente nos anos de 1942)
Miguel Kachimanda
Joaquim Paulino
Tchinguari (proveniente de Tchikalengue)
Estevão Kangombe
Bernabé Sawandi
José Selongo ( o actual)

Expectativas da Comunidade
Melhorar o saneamento básico do meio
Abertura de mais cacimbas com bombas manuais (manivelas)
Construção de mais escolas e postos médicos
Abastecimento de energia eléctrica

Problemas e Formas de Resolução
Problemas mais Frequentes
Roubos
Homicídios
Feitiçaria
Ciúmes
Adultérios

Formas de Resolução
O processo de resolução dos problemas começam na Embala1, nela resolvem-se casos como : feitiçaria, pequenos roubos, ciúmes, adultérios, etc.

Os problemas terminam em multas para os culpados. No caso de feitiço, o feiticeiro é castigado com uma surra e deve pagar um cabrito. No caso de adultério o culpado deve pagar um montante de 7.000.00 Kzs. a 8.000.00Kzs. que é entregado ao marido da adúltera que depois de receber divide o montante para todos os participantes, também o adultero muitas vezes é surrado. E se o marido não quiser mais a sua esposa o adúltero leva-a consigo para casa.

Os casos mais graves (como homicídios, grandes roubos, casos que o soba por si só é incapaz de resolver) são encaminhados para a polícia.

Igrejas Predominantes
Igreja Cheia da Palavra de Deus
Igreja Católica (com o maior número de crentes)
Igreja Fé Apostólica
Igreja Pentecostal
Igreja Kimbanguista
Igreja Protestante
Igreja Jerusalém
Testemunhas de Jeová
Igreja Adventista

Obs. as Igrejas têm actividades para ajudar os mais necessitados: pobres, deslocados, doentes, enlutados etc.

Organizações Comunitárias
CARITAS (Igreja Católica) recebe uma contribuição da comissão do bairro e depois distribui para os necessitados
PROMAICA – realiza actividades humanitárias
OMA
JMPLA

Kamilikinhento

Localização administrativa
Kamilikinhento, situa-se na comuna das Cacilhas, um bairro limitado a norte oeste e sul pela Fátima, a este Compão.

Densidade populacional
Tem aproximadamente 545 famílias.

Data da criação
O surgimento das primeiras habitações no bairro datam dos anos 1951, sendo esta mais ou menos a data concreta da sua fundação. O crescimento do bairro foi a partir de 1980 – 1981.

Origem do bairro
Os primeiros habitantes a fixar as suas residências no bairro foram Vissoca Simão, antigo funcionário da câmara municipal desde 1947 e Sr. Manuel das Vacas, um senhor português que era barbeiro e tinha muito gado, talvez daí o nome “das vacas”. Isso era aproximadamente nos anos 1951.

No entretanto, até 1975 o bairro não era habitado, existindo apenas a casa do Sr. Vissoca Simão e a do Sr. Manuel das Vacas. O bairro era denominado por “Bairro dos Cedros” pela existência de muitas árvores de cedro.

O Sr. Vissoca tinha a obrigação de controlar a cintura verde que existia desde o rio Kalonbula até ao actual bairro. Pelo facto de fazer sempre crédito nas lojas dos comerciantes brancos até 300 Escudos, que pagava no final do mês, também foi conhecido por muitos de Sr. 300.

Havia na área uma paragem de contratados que estava localizada próximo a uma árvore de eucaliptos (ao lado do actual seminário) onde comerciantes traziam peixe para vender na taxa única de 1.5 escudos. Para algumas fontes, daí o baptismo de Kamilikinhento ao bairro.

O bairro começou a crescer verdadeiramente no início dos anos 1980 á 1981 com a vinda de outros populares oriundos de outros lados da província que instalaram-se e construíram suas casas e constituíram famílias.

Etnias
A maior parte da população é proveniente de
Bailundo
Sambo
Huambo (Sede)
Bié
Lepi (Longonjo)

Actividades de subsistência
No bairro Kamilikinhento, em termos de actividade de subsistência a população está subdividida em vários grupos. Deste modo existem populares que são funcionários públicos, camponeses e grupo de vendedores do mercado informal bastante pobre.

Organizações do Governo
Administração
Actualmente o bairro está sob jurisdição da administração da Comuna das Cacilhas dispondo nesse momento de uma Coordenação do Bairro e uma Comissão de Moradores que têm levado à Administração Comunal todos os problemas sociais que surgem no bairro.

Serviços comunitários
Os Serviços Comunitários não se fazem sentir. Para a resolução do problema dos dejectos, a comunidade reúne-se em pequenos «grupos», realizando algumas vezes campanhas de limpeza por toda comunidade.

Serviços Básicos
Saúde
O bairro, não dispõe de nenhum centro hospitalar obrigando as populações a recorrer ao Hospital Central em caso de alguma doença grave.

Tem no bairro uma parteira que trabalha nos serviços de saúde pública e em caso de emergência tem ajudado. O bairro não dispõe de nenhum promotor de saúde.

Educação
Não há escolas no bairro, razão pela qual os estudantes têm de se deslocar quase 1,5 km para ter acesso ao ensino e aprendizagem. A Coordenação local, já várias vezes levou esta preocupação à Administração Comunal no sentido de dar resposta a esta situação preocupante.

Energia
O bairro dispõe de energia eléctrica, mas de forma não regular.

Saneamento básico
O saneamento do meio está a cargo dos moradores.

Água
O bairro não dispõe de água canalizada nem manivelas, os residentes tiram água de poços desprotegidos (cacimbas). Na falta do precioso líquido a população recorre ao bairro da Fátima para a sua obtenção.

Organizações Não Governamentais que operam no bairro
A dois anos atrás (2001), as ONGs que operaram no bairro foi apenas a Save The Children. Actualmente, nenhuma Ong opera no bairro.

Organizações Comunitárias
Existe no bairro a JMPLA que cobre as actividades partidárias.

Movimento Migratório (imigração e emigração)
Nos anos 1993, registou-se algum movimento imigratório das populações que saíram das suas zonas de origem por motivos da guerra. Hoje o quadro é outro, e é visível a imigração de novos populares e a construção de novas moradias.

Resolução de conflitos:
A região de Kamilikinhento não tem atravessado problemas como conflitos de terra. Os conflitos mais frequentes têm sido a agressão física, roubos, furtos, adultérios, etc., problemas que são encaminhados aos responsáveis do bairro que têm dado solução aos mesmos.

Igrejas que predominam no bairro
Católica
Testemunhas de Jeová

As comunidades religiosas de Kamilikinhento, em caso de dificuldades têm se ajudado mutuamente independentemente da crença religiosa de cada um.

Por outro lado, há também grupos das igrejas que se organizam para realizarem algumas actividades de âmbito social.

Kilombo

Localização administrativa
O bairro fica localizado na comuna do Vilinga na parte oeste, limitado ao norte pela estrada que liga a cidade do Huambo à província do Bié, ao sul pelo bairro Santa Ngoti, a este pelo bairro da Bomba Baixa e a oeste pela Rua Nova.

Densidade Populacional
No bairro vivem aproximadamente 470 habitantes

Data e origem da criação do bairro
O bairro nasceu no ano de 1988, tendo no entanto sido inaugurado somente no dia 4 de Fevereiro de 1989 por sua excelência Sr. Marcolino José Carlos Moco então, Comissário da Província do Huambo.

O bairro foi construído exclusivamente para os antigos combatentes ou dito doutra maneira, foi construído para atender as necessidades dos ex-combatentes das FAPLA.

Etnias e proveniência dos residentes
São moradores provenientes de vários cantos da província dada a natureza deles de ex-militares, desde o município do Bailundo, Mungo, Ekunha, Katchiungo, e por sinal todos são ovimbundu.

Actividade de subsistência
Alguns moradores vivem de pequenos negócios dos quais destacamos a venda de areia que se usa nas obras de construção civil proveniente de um rio Kulimahãla que fica a escassos metros do bairro, actividade esta que tem sido reprovada pelas autoridades da Administração Comunal porque constitui perigo por ser causa de grandes ravinas.

Os populares apesar de terem conhecimento de que tal prática constitui perigo ambiental insistem na prática de tais actos porque não vêem, por enquanto, outra forma de poderem fazer face aos problemas actuais que a vida lhes proporciona.

Para além da actividade supracitada, existem ainda alguns vendedores do mercado informal, embora em número muito diminuto, outros dedicados ao derrube de arbustos para serem secos e vendidos, a fim de que possam servir de lenha.

Apesar de serem deficientes físicos, saliente-se que sete deles são trabalhadores da Função Pública, mais propriamente da Delegação Municipal dos Antigos Combatentes.

Organizações Governamentais
O bairro, como já acima nos referimos, pertence à administração comunal do Vilinga, no bairro não se faz sentir a presença dos Serviços Comunitários, devendo para tal os moradores se organizar em grupos e enterrar o lixo em buracos cavados nos respectivos quintais, constata-se uma considerável higiene exterior no bairro.

Serviços Básicos
Postos de Saúde
O bairro conta com apenas um posto de saúde estatal com apetrechamento medicamentoso devidamente aceitável e atendimento gratuito, faltando apenas mobiliário para que o atendimento seja mais eficaz, o posto se encontra localizado na zona C do bairro.

Escolas
Conta-se no bairro uma escola do primeiro nível, depois de concluído os estudantes são encaminhados para uma escola situada algures no bairro de S. José, ainda até ao momento nunca se registaram crianças fora do sistema de ensino, mas teme-se que este ano tal aconteça.

Energia Eléctrica
A instalação eléctrica foi destruída na guerra de 1993 e até à data ainda não foi reposta, inclusive os últimos postos de iluminação que tinham restado foram retiradas pelo governo provincial e colocados na estufa.

Água
Quanto a este aspecto e sobretudo no tocante à água canalizada nada há a lamentar porque a conduta geral de água para toda a cidade passa mesmo próximo do bairro. Há ainda uma manivela construída pela DW.

Movimentos migratórios (imigração e emigração)
Nos dizeres dos representantes do bairro “não há necessidade de sairmos daqui porque está-se bem”. Há tranquilidade e não se nota também entrada de gente nova.

Sucessão do soba
A indicação do soba é feita através do Muekália, que era o sekulo dos sekulos e que indicava alguém que era já de uma família de sobas (linhagem). O actual soba pertenceu a uma linhagem de sobas e para chegar a este lugar foi simplesmente escolhido, e normalmente na sua ausência é substituído pelo seu epalanga2.

No ano de 1990 celebrou-se o primeiro aniversário do bairro com pompa e cerimónias e desde aquela altura e com o eclodir da guerra nunca houve meios financeiros para tais situações ou eventos, pelo que é a única festa que até a esta altura se celebrou.

Anseios e perspectivas da comunidade
Construção de mais escolas para o IIº e IIIº níveis,
Instalação de uma moagem trituradora de milho,
Instalação ou reposição da energia eléctrica,
Uma loja comercial,
Uma máquina niveladora para tratar de endireitar as mazelas que a estrada apresenta.

Conflitos e formas de os resolver
São quase que insignificantes os conflitos que costumam existir no bairro, pode-se mesmo dizer que é um bairro bom de se viver, já que segundo dizeres do soba, quase que não se registam situações de vulto.

Desde a fundação do bairro, o soba nunca encaminhou ninguém para a polícia, alguns casos de acusação de feitiçaria nunca foram provados, pelo que os acusados foram sempre absolvidos, tendo nestes casos os acusadores ter que arcar com as despesas inerentes a estes tipos de julgamentos tradicionais.

Os casos de pequena roubalheira que acontecem são resolvidos mediante uma mera multa correspondente ao valor do bem furtado.

Saliente-se que as situações de espancamento que às vezes acontecem são fruto da permanência por um determinado lapso de tempo nos alambiques3, o que depois gera bebedeiras e com elas os espancamentos ligeiros sem contusões que são também situações resolvidas pelo soba mediante aplicação de uma multa aos conflitantes ou delinquentes.

Organizações não governamentais que operam no bairro
O PAM dá alimentos aos populares;
DW construiu uma escola e uma cacimba protegida com sistema de manivela; A DW acompanha ainda o ensino de adultos por meio do seu Projecto de Publicação
FAS construiu um centro de saúde e colocou nele o devido apetrecho. Comunitária.

Religiões existentes e suas actividades sociais
Constata-se apenas a existência da Igreja Católica, que com os seus poucos fundos ajudam os seus fiéis em questões que têm a ver com doenças, mortes ou outras situações de aflição.

Responsáveis do bairro por zonas:
Damião Adelino: coordenador da zona A
Pedro Kapango: coordenador da zona B
Francisco Xavier Kalweyo: coordenador da zona C

Kalomanda

Localização Geográfica
Kalomanda está situado a oeste da cidade do Huambo na comuna do Nzaje, fazendo fronteira ao norte com o rio Kalomanda, a sul e oeste pelo bairro da Aviação e a este pelo bairro Kalobringo.

Densidade populacional
O bairro da Kalomanda tem aproximadamente 30.800 Habitantes.

Data da criação e origem do Bairro
Supõe-se entre algumas fontes que 1922 e 1924 sejam os anos da criação do bairro, o mesmo é chamado assim porque antes da construção de residências havia muitas árvores chamadas “omanda”.

O primeiro soba chamava-se Sakandindi, morava na zona C e morreu em 1950. O segundo foi Zeferino Ferrão, actualmente encontra-se o regedor Geraldo Sandele eleito em 1986 e vindo do Galange (Londwimbale).

As casas da zona urbana do bairro antigamente eram apenas zona residencial dos brancos, com a sua retirada muitas das casas ficaram com os nativos que trabalhavam nas mesmas casas no tempo colonial.

Etnias da População do Bairro
Na zona B baixa vive uma boa parte de moradores provenientes do Bié e pertencentes à tribo dos Ngangelas, bem como alguns moradores provenientes do Galanga (Londwimbale). De uma forma geral existem no bairro populares provenientes das seguintes províncias: Luanda, Uíge, Malange, Bié, K. Kubango, Namibe e Benguela.

Actividades de Subsistência
Na altura da guerra dos dois anos, a população vivia da venda de lenha, trabalhava em regime de biscates para pessoas que tinham mais poderes económicos. Já se chegou a morrer de fome porque falta de emprego.

Durante os cinquenta e cinco dias de guerra (Governo vs UNITA) comia-se farelo que era muito difícil de encontrar, e que servia para fazer papas. Era necessário que a população se deslocasse ao Lufefena que não ficava a menos de cinco quilómetros para poderem trabalhar para as pessoas que tinham lavras.

Durante a ocupação da província pela UNITA (de Março de 1993 a Novembro de 1994) não havia qualquer possibilidade de se fazer negócio cá dentro porque as pessoas não dispunham de meios financeiros para poderem começar os seus negócios, tirando uma ou outra pessoa que ia ao Kalukembe comprar fuba, bois, milho (que era fervido e mastigado sem sal que era a famosa “mbulunga”),bens estes que eram revendidos cá.

O CICV mais tarde passou a dar farinha de milho, óleo vegetal. Porém nesta altura a vida começou a mudar, mas como as pessoas já não estavam habituadas a ter comida com fartura, tiveram sérias dificuldades de fermentação do abdómen (congestão abdominal).

Durante a retomada da cidade do Huambo pelo Governo, as pessoas tiveram que abandonar as casas para se refugiarem no Benfica, e outros fugindo para os “esconderijos” que naquela altura eram obrigatórios de fazer-se sob pena de serem atingidos.

Actualmente, aqueles que podem se deslocar para outros pontos do país fazem-no à vontade comprando do litoral bens que não existem na província e assim poderem sobreviver (viajantes), alguns trabalham na função pública (funcionários públicos), alguns são pequenos comerciantes, mas a maior parte da população sobrevive de pequenos negócios do mercado informal.

Organizações do Governo
Saneamento básico
As instituições encarregadas da limpeza não fazem sentir a sua presença no bairro, apenas os fiscais da urbanização para evitar construções anárquicas, ou desordenadas; o soba ajuda a organizar a construção das casas para evitar multas por parte da fiscalização e a fim de haver arruamentos.

O lixo é recolhido por organização da população moradora que se agrupa com mediação do soba que fica no topo do grupo.

Escolas
Quanto a escolas existem apenas três que leccionam da Primeira à Quarta Classe. Sendo uma localizada na zona B as outras duas escolas estão localizadas na zona C baixa.

Saúde
Em relação aos Centros de Saúde estão distribuídos da seguinte maneira: há um único Centro de Saúde que pertence ao Estado, devidamente apetrechado, com condições medicamentosas aceitáveis, faltando apenas condições de internamento e uma ambulância; dois Postos Médicos privados na zona C baixa; dois Postos Médicos privados na zona urbana; e um posto médico privado na zona C Alta .

Não existem promotores de saúde locais, apenas têm aparecido alguns homens da delegação da saúde que têm estado a dar palestras de educação para saúde. O bairro conta com doze parteiras tradicionais

Águas
Não tem água canalizada, a tubagem que existia foi roubada pelo povo devido a carência de vida, utilizavam-nos para o fabrico de bebida (no alambique). Os moradores tiram água em cacimbas desprotegidas e outros, a maioria esmagadora tira água de pontos protegidos. No bairro existem três cacimbas construídas pela DW localizadas uma na escola da zona C baixa, uma na igreja na zona A e uma na escola da zona B.

Energia Eléctrica
Os lideres do bairro alegam ter energia de forma irregular, isto é, duas a três vezes por semana, poucos moradores tem instalação de energia eléctrica.

ONGs que operam no Bairro
The Halo Trust – dá palestras educativas sobre as minas nas comunidades.
DW – apoia os pobres economicamente activos fazendo credito.
FAS – construiu um Posto Médico na zona C e uma Escola na zona urbana.

Migração (emigração e imigração).
As pessoas que estiveram fora do bairro ou da província por motivo de guerra estão a regressar, em numero muito reduzido. Não se regista a saída de populares.

Na Kalomanda há uma grande procura de terrenos , visto que há gente a querer construir suas casas perto da cidade.

Artigos Encontrados na Embala
Pele de cabrito – serve para substituir a pele do batuque.
Carapaça de Cagado – representa o símbolo de chefia, inteligência e robustez.
Prateleiras – onde põem a comida para os órfãos
Chifres – é usado para danças
Otchilavi4 – é utilizado como candeeiro para iluminação.
Espigas de milho – símbolo de que ainda não tinha chegado o tempo de colheita e que há fome, porque só se pode tirar daí as espigas quando chegar o tempo das colheitas.
Macossa – chicote que simboliza que o soba tem poder, mas não poder para bater.
Dentada de “ohombo”5 – símbolo de que todo aquele que tivesse problema grave pagava um cabrito que era imolado e comido na embala.
Uma Porta só de entrada e outra Porta só de saída.

Anseios ou Perspectivas da Comunidade
Construção de mais escolas visto que há muitas crianças fora do sistema escolar
melhorar o ensino para diminuir o índice de analfabetismo
Reabilitação das estradas e construção de pontes
Melhorar o fornecimento de energia eléctrica
Instalar o sistema de canalização para o abastecimento de água
Melhorar o saneamento básico no bairro

Igrejas Existentes
Católica
Protestante
Apóstolos
Nova Apostólica
Igreja Cheia da Palavra de Deus
Assembleia de Deus Pentecostal
Adventista
Igreja Evangelica Baptista
Testemunha de Jeová
Igreja Fé Apostólica
Obs: Faltam 3 pois são no total 13.

Actividades Sociais das Igrejas
A igreja Católica através da Caritas tem ajudado os velhos da terceira idade bem como as viúvas com bens alimentares e vestuário.
A igreja Protestante construiu um posto médico para ajudar a comunidade do bairro e também tem feito contribuições para ajudar os doentes e os necessitados.

Partidos Políticos
Os partidos políticos ainda não estão representados, com excepção do partido MPLA. Os jovens ainda tem preconceitos em relação ao partido UNITA, devido ao sofrimento dos dois anos.

Organizações Comunitárias
As que existem são de índole religiosa cujo papel principal consiste em ajudar os provenientes das matas em termos de roupa usada, comida ou outros bens do mesmo género, sem deixar de ajudar também os doentes nos hospitais e os reclusos nas unidades prisionais.

Fonte de informação
Geraldo Sandele – Soba Geral
Alberto Domingos – coordenador
Bernardo Kalombota – Comandante do CADV
Joaquim Kadimba – Chefe do Território
Abel Bussalo – Coordenador da Zona A
Benito Belito – Coordenador da Zona B
Celestino Calembe – Coordenador da Zona C Baixa
Cornério Sicato Cassoma – Coordenador da Zona Urbana Rua Nova
Eduardo Sakumbengua Coordenador da zona C Alta
Francisco Somaquisse – Soba Adjunto da zona C Alta
Jeremias Kamuenho – Soba Adjunto da Zona A
Ernesto Chionguelessi – Soba Adjunto da Zona C Baixa
Mateus Cachitele – Soba Adjunto da Zona Urbana.

Kalundo

Localização
O bairro Kalundo está localizado ao Oeste da cidade do Huambo, junto ao cemitério e ao mercado de S. Pedro fazendo fronteira ao norte com os bairros de Kaquelewa e Chivela zona Teixeira, ao sul os bairros de Kalobringo e Kachindombe, a este os bairros de Kalilongue e São Bento e ao Oeste o bairro de Kachindombe.

Origem do bairro
O bairro foi criado na era colonial em mais ou menos antes de 1922, pois segundo fontes o bairro foi fundado 3 anos depois da chegada do comboio na província do Huambo.

O nome Kalundo é originário da língua Umbundo que em Língua Portuguesa significa “cemitério”.

O actual cemitério municipal era o local onde vivia o senhor Alberto Kachikichiki vindo do leste (Moxico) e enterravam-se no mesmo lugar os defuntos principalmente os negros.

Desde o enterro de um branco que vivia na rua do comércio, começou-se assim com zumbidos6 na área, pelo que então o senhor Alberto foi obrigado a transferir-se do local (onde hoje é o cemitério municipal) para a zona mais baixa precisamente no pequeno mercado denominada Kolemba, onde o mesmo senhor plantou uma “mulembeira” e que ainda existe.

O senhor João Kafende e poucos outros instalaram-se junto a residência do senhor Alberto todos provenientes do leste (Moxico) e a procura de emprego.

Densidade populacional
Segundo o senso populacional feito em 1998 o bairro albergava 44.000 habitantes. Esforços estão sendo feitos para um novo senso populacional. No bairro existem cinco zonas residenciais distribuídas por ordem alfabéticas.

Origem dos residentes.
Hoje o bairro é composto de residentes provenientes de alguns pontos do país tais como: K. Sul, Bié e Huila.

Actividade de subsistência
Os residentes têm como actividade de subsistência a agricultura cultivando deste modo o milho, feijão, a batata doce e outras hortícolas, existe também residentes que estão empenhados em negócios informais no maior mercado da província (S. Pedro), há residentes mas em pouca percentagem a trabalharem na função pública; mas considera-se que a maior parte da população dedica-se à agricultura.

Sectores Governamentais
Administração
O administrador comunal é o representante do governo provincial dentro da comuna X. Samacau, o soba representa a comunidade do Kalundo perante a Administração comunal.

Ongs que operam no bairro.
FAS – construiu uma escola que ainda não foi entregue oficialmente à comunidade, terminada desde Dezembro de 2002.
DW construiu manivelas até Dezembro de 2001.

Serviços básicos
educação
Existem quatro escolas das quais três leccionam o Iº nível e uma lecciona o IIº nível.
Porém existe um número (não apurado) bastante elevado de crianças de idade escolar que estão fora do sistema do ensino devido dois factores:
1-Pela existência de um número reduzido de sala de aulas.
2-Pela nova reforma do sistema do ensino pois o mesmo reduz a possibilidade de enquadramento de novos professores.

Saúde
Em caso de enfermidade os residentes têm recorrido a um único centro de saúde estatal e a nove postos médicos privados todos eles legalizados.
No entanto estão em construção oito postos de saúde.

Existem núcleos de saúde que têm educado as comunidades sobre o saneamento básico de meio e são considerados como elo de ligação entre o centro de saúde do São Pedro e a comunidade residente no bairro de Kalundo.
A malária, as doenças respiratórias agudas e são os casos mais frequentes no bairro e que são responsáveis pela mortalidade infantil.

Água
Nas residências antigas existe canalização para a água mas não são abastecidas.

Serviços Comunitários
Os serviços comunitários têm organizado pequenas campanhas de limpeza no bairro e no mercado de S. Pedro.

Movimentos migratórios
Devido aos conflitos registados nestes últimos anos havia no bairro um número não controlado de deslocados provenientes de diversas partes da província nomeadamente: Sambo, Tchikala Tcholohanga e Katchiungo. Mas com a estabilidade do país e da província em particular os mesmos regressaram para as suas zonas de origem.

Registou-se também durante o tempo de conflitos a saída de alguns residentes que se deslocaram para algumas províncias tais como Benguela, Huila e Luanda; e que de uma forma paulatina estão a regressar para a província.

As autoridades locais têm conhecimento de algumas famílias a se instalarem no bairro provenientes de bairros vizinhos (Kalobringo, Kalomanda e Lufefena).

Perspectivas da comunidade
Melhorar as ruas do bairro,
extensão e melhoramento da energia eléctrica,
meios de transporte para os líderes tradicionais,
construção de postos médicos,
construção de lavandarias e fontanários de água.

Kapango

Localização
Kapango está situado ao sul da cidade do Huambo fazendo fronteira a norte com o Kapango urbano, a sul o bairro do Kavonge, a este o bairro de S. Luís e a oeste Albano Machado.

Densidade populacional
Possui 20.305 habitantes7.

Divisão Administrativa
É um bairro com subdivisão em cinco (5) zonas: A, B, C, D, E e F,

Origem do bairro
O bairro foi criado antes de 1945 na era colonial e surgiu devido a alguns desentendimentos entre dois primos (Kapango e Aviação) da tribo Nganguela, que viviam numa área hoje chamada bairro Aviação onde actualmente se encontra a Feira. Depois da desavença o senhor Kapango decidiu instalar-se numa área em que antigamente só existia um tanque de combustível e leões, hoje chamado Kapango. O senhor Kapango foi o 1.º habitante e teve os seus seguidores, assim, o bairro foi se alastrando sendo ele o primeiro habitante foi nomeado como soba. Depois do falecimento do soba Kapango substitui o Soba Tomás, depois deste, Alfredo Musindika, Vitenga; e Isaac Kameia este isonerado pelo povo por colaborar na altura com o partido UNITA pois era inadmissível tal actitude, em seguida veio uma nova lei que um soba tinha que ter habilitações, assim sendo foi eleito o actual regedor Clementino Pedro, isto com base a lei da eleição da autoridade tradicional máxima.

Origem dos residentes
As etnias existentes são:
Nganguela,
Umbundu
Kimbundu

Actividades de Subsistência
A maior parte da população tem como actividade de subsistência a agricultura e o comércio informal e uma minoria trabalha na função pública.

Comércio
Além da actividade feita pelos pequenos vendedores informais no mercado localizado no bairro existem ainda duas lojas, uma sendo a comercio geral(Malu) e outra de venda a grosso(Kuetu Maka)
Sectores governamentais
O administrador comunal representa o governo provincial a comuna Joaquim Kapango, os sobas representam a comunidade do bairro perante a administração comunal, estes têm a missão de encaminhar as preocupações da comunidade à administração.

Os directores das escolas e do posto médico estatal são os que respondem pelos sectores da educação e da saúde no bairro.

Os serviços comunitários estão representados através do pequeno mercado existente onde os residentes do bairro fazem as suas compras, isto por meio de cobranças aos vendedores e organização de campanhas de limpeza do mesmo.

Serviços básicos existentes
Educação
Existem duas (2) escolas do 1º nível, das quais uma tem leccionado o 2º nível no período nocturno.

Saúde
O bairro conta com 1 posto médico estatal e 2 Postos Médicos privados (um da D. Berta e o outro do Sr. Malaquias).

Agua
Não existe água canalizada, a comunidade tem consumido água através de 4 pontos de água protegidos (3 construídos pela DW e 1 pela OXFAM) e de cacimbas tradicionais desprotegidas.

Energia
A comunidade tem beneficiado do abastecimento irregular de energia eléctrica no bairro.

Movimento migratório (imigração e emigração)
Neste bairro os dois processos acontecem em simultâneo. Alguns haviam deixado as suas casas e foram viver nas zonas urbanas, mas devido aos custos de vida estão a instalar-se de novo no bairro. Outros haviam deixado as suas áreas de origem nas condições de deslocados e instalaram-se aqui e esses já estão a regressar para as suas áreas de origem.

Papel dos Líderes Tradicionais
Os líderes tradicionais têm o papel de resolver os problemas da comunidade no que diz respeito a feitiçarias, roubos de culturas nas lavras e violações de mulheres, sendo o local ideal para a resolução dos mesmos a embala.

São encaminhados para a Polícia todos os problemas graves que pela sua natureza requerem um tratamento especial como homicídios e violações.

Os líderes tradicionais também têm o papel de velar pela organização das zonas (o alinhamento das residências) evitando deste modo conflitos residenciais.

Qualquer recomendação recebida pela administração para ser resolvida pela comunidade cabe as autoridades tradicionais transmiti-la para a comunidade.

Partidos Políticos e Representações
MPLA é único partido político existente e é representado por um comité de acção. Sendo o sr Carlos Fonseca o representante máximo (1ºsecretário do MPLA)

Modo de vida em tempo de guerra
Na guerra dos 55 dias a população alimentava-se de batata-doce, os mercados não existiam, mas haviam alguns lugares aonde as pessoas vendiam batata-doce e rama; havia muita produção de feijão nos quintais e ajudou muita gente pois fazia-se sopa de batata-doce com feijão. A maioria das pessoas acabou por recuar para os campos agrícolas.

Durante a ocupação da província pela UNITA havia inscrição no bairro mediante o agregado familiar e davam cartões para abastecimento alimentar através do PAM, Save The Children e pela Concern. Devido ao hábito alimentar deficiente na altura das mesmas distribuições muitos populares ficaram congestionados e acabaram por morrer.

“Muita gente já chegou a beber tchimbulundundu (restos de palha que sobram do fabrico do kasungueno8)”.

Em 1998 havia comida suficiente, haviam praças, não se registrou nenhum problema alimentar, havia apenas o temor de passar o sofrimento dos dois anos.

Crianças fora do sistema escolar
Nos anos passados registavam-se muitas crianças fora do sistema de ensino isto devida a salas de aulas, pois apenas os que tinham parentes dentro da escola existente conseguia matricular-se e posteriormente estudar.
Com a construção de mais escolas que se verificou no ano passado, registou-se pouco número que são no total de 190 crianças fora do sistema de ensino. Devido a falta de mais escolas o comité provisoriamente tem auxiliado com duas salas para o ensino de algumas crianças dentro do sistema de ensino.
A partir deste ano lectivo, na escola 48 passará a ter ensino nocturno e de adultos para o IIIº nível.

Saneamento básico
Não se faz sentir a presença dos serviços comunitários, pelo que o lixo serve de estrume ou fertilizante para as lavouras (apenas o lixo deteriorável), quanto as latas e outros não perecíveis, fazem-se buracos e enterram-se nos quintais.

O lixo no mercado é recolhido por homens que depois pedem remuneração do seu trabalho.

Ocupação das Casas dos antigos colonos
Passaram todas em nome dos populares que antes pagavam renda ao Estado e agora passaram todos definitivamente a serem os verdadeiros proprietários. Os colonizadores deixaram as casas com os cabo-verdianos que por sua vez as deixaram com os angolanos actuais moradores.

Tipo de Administração colonial
Não havia a comuna, só haviam postos administrativos como a Kalima, por exemplo, e havia o distrito e o conselho como órgão maior.

Anseio ou perspectivas da comunidade
Melhorar tudo de mal que existe dentro do bairro, porém com a paz e democracia o povo deve ser prudente e saber escolher o melhor.

Conflitos enfrentados e formas de resolução
Os conflitos enfrentado são: roubo, feitiço e boatos estes problemas são resolvidos na embala e os caso de homicídios são encaminhados para as autoridades superiores, porém todo problema antes de ser encaminhado as autoridades do estado, primeiramente é censurado dentro das autoridades locais e estes passam um documento para as autoridades darem solução do problema.

Religiões existentes
Católica
Apóstolos,
Adventista,
Protestante,
Fé Apostólica,
Pentecostal,
Tocoísta
Baptista.

As igrejas Católica, Protestante e Adventista têm realizam contribuições para ajudar os enfermos, e todas ajudam os seus membros em algumas dificuldades como é o caso dos óbitos. A denominação com maior número de membros é a Católica.

Organizações comunitárias
A OMA, OPA e JMPLA são as organizações existentes no lado político, no entanto existem outras de índole religioso como as associações juvenis e de adultos pois com a missão de expandir a palavra de Deus.

ONGs que operam no bairro
CICV dá assistência alimentar
PAM assistência alimentar,
OXFAM abastecimento de água através de furos e cacimbas protegidas
DW abastecimento de água através de furos e cacimbas protegidas
The Halo Trust trabalha na sensibilização da comunidade no perigo de minas.

S. Luís

Localização
Um bairro situado ao sul da Cidade do Huambo e a oeste do aeroporto Albano Machado, limitado ao Norte pelo Bairro da Fátima, a Este pelo Bairro do Santa Ngoti, a sul pelo bairro de Sto. António e o rio Kalopato a oeste pelo bairro de Kapango urbano.

Densidade Populacional
Tem aproximadamente 15.650 habitantes

Data da Criação
A fundação do bairro data de anos anteriores a 1918, porém sendo a data concreta desconhecida.

Origem do Bairro
Fundado por um velho Katimba, natural do Bié, foi dos primeiros habitantes da zona, tinha a ocupação de “angariador”9. Em 1938 trabalhava como empregado do carregador10.

Primeiramente o Bairro era chamado Katimba, actualmente S. Luís nome este, por ser o padroeiro da Igreja local S. Luís Gonzaga. A partir de 1960 deu-se o maior crescimento do bairro.

Etnias e Origem da População
Ovimbundos
Bakongos (Makela do Zombo)
Nganguelas e Tchokues (Bié)
Nganguelas (Menongue)

Actividades de subsistência
Os habitantes vivem uma parte da agricultura que é feita de modo arcaico e muito fraca, outros são trabalhadores da função pública (professores, enfermeiros, militares, polícias…), vendedores do mercado informal e funcionários das ONGs.

Organizações do Governo
Serviços Comunitários
Os serviços comunitários não se fazem sentir por falta de uma praça grande

Administração
O Bairro pertence à Administração de Kapango sita na Cidade Baixa, que coordena outras organizações como: O CADV (Comité de Defesa e Vigilância) e a Comissão de Moradores

Serviços básicos existentes
Saneamento básico
Não tem água canalizada, acarretam a água das suas “cacimbas” rudimentais, há também 3 “manivelas”11, e um fontanário construído pelo CICV

Educação
Existe apenas uma (1) escola pertencente à Missão Católica do I, II e III níveis

Saúde
Existe um Centro de Saúde da Igreja Católica e um Posto Médico da Igreja Protestante.

Energia
Alguns populares consomem da energia eléctrica que vem da cidade, outra parte recebe de um gerador comprado pela Missão católica apenas para aqueles que conseguem a contribuição para o combustível

Porém a maioria esmagadora da população não dispõe deste serviço desde 1992.

Movimento migratório (imigração e emigração)
Regista-se a chegada de pessoas que regressam dos centros de acolhimento, de aldeias outros há que saem da cidade pois os verdadeiros donos das casas estão a regressar.
Quanto a emigração se tem notado a saída de populares que então estavam na condição de deslocados para as suas áreas de origem.

Sucessão dos sobas
Desde a fundação do bairro já passaram seguintes sobas
Pedro Katimba (aproximadamente desde os anos 1956)
Gonçalves Katiamba
Angelino Mwetunda
Kasolali
Higino Vitenga
Isaac Kameia
Celestino Pedro

O soba actual foi eleito por um colégio de “sekulus”12, depois da deposição do antecessor por abuso de poder.

Expectativas e ou anseios da Comunidade
A comunidade espera ajuda do Governo em termos de
Alimentação,
Produtos para desenvolver a agriculta (sementes, fertilizantes, adubos, enxadas etc.)
Mais segurança no bairro

Conflitos e formas de resolução
Conflitos e problemas
Roubos
Estupros
Feitiçaria
Adultérios

Formas de resolução
Os conflitos menos graves (pequenos roubos, adultério, calúnias, problemas entre casais, etc.) são resolvidos na embala bem como os conflitos tradicionais como a feitiçaria.
Em caso de feitiçaria o culpado deve pagar um cabrito, uma galinha e um garrafão de aguardente
Em caso de adultério o adúltero deve pagar o dobro da quantia ou multa dada pelo marido no dia do “Ovilombo” 13 e leva consigo a mulher. Muitas vezes a multa atinge os 5.000.00 Kzs.
Outros conflitos os mais graves e aqueles que não forem solucionados pela Embala são encaminhados para o CADV (Comissão de Defesa e Vigilância) que por sua vez encaminha para as autoridades competentes.

Religiões existentes
Denominações e Actividades
Igreja Católica – têm actividades sociais como distribuição de alimentação para a 3ª idade nos sábados, têm um Centro médico e escola.
Testemunhas de Jeová
Igreja Tocoísta
Igreja Protestante
Igreja Adventista
Igreja Pentecostal
Igreja Apostólica

Organizações Comunitárias
Grupos lúdicos (realizam actividades recreativas, teatros etc.)
Juventude da Igreja Católica
Juventude da Igreja Protestante
Juventude da Igreja Pentecostal
Comissão de Moradores

Organizações Não Governamentais que operam no Bairro
Actualmente não há organizações que trabalham concretamente no bairro, alegando o factor paz.

S. José

Localização
O bairro de S. José está localizado a sudeste da cidade do Huambo, fazendo fronteira ao norte com a estrada que vai a província do Bié, ao sul o rio Kalumbula, a este o bairro Kilombo e a Oeste captação de água e Kanata (S.João).

Origem do bairro
O bairro surge por causa de uma capela que existia na região, foi baptizado por um missionário que vivia na missão do Cuando, e como não havia transporte vinha a cavalo e baptizou a área com este nome. A 1ª Igreja era de capim, o bairro ocupava uma região extensa. A capela foi construída em 1800 possivelmente pelo Padre King. Em 1947 o sekulo Domingos Kamota chegou a parte baixa de S. José que na altura era nada mais que um bosque e só havia duas ou três casas, as pessoas foram surgindo até povoarem a zona por completo.

Depois construiu-se o 1º comité criado na era colonial naquela região. Para todos efeitos o bairro foi fundado na era colonial, a capelinha que existe na zona foi fundada três anos mais tarde, a antiga administração funcionou aonde está a praça depois mudou-se para o actual sitio.

Densidade populacional
Segundo o senso populacional feito, o bairro alberga 6380 habitantes aproximadamente. Esforços estão sendo feitos para um novo senso populacional. No bairro existem três zonas residenciais distribuídas por ordem alfabéticas.

Origem dos residentes.
Hoje o bairro é composto de residentes provenientes de alguns pontos do país tais como:
Sul (Kilengues, Mumuílas)
Leste (Kokwes e Nganguelas – de Moxico e Menongue),
Ovimbundos (Huíla e Benguela) – maioria populacional.

Actividade de subsistência
Os residentes têm como actividade de subsistência a agricultura cultivando deste modo o milho, feijão, a batata doce e outras hortícolas, existe também residentes que estão empenhados em negócios informais. Há residentes, mas em pouca percentagem, a trabalharem na função pública, mas considera-se que a maioria tem como actividade de subsistência a agricultura.

Organizações Governamentais
O administrador comunal é o representante do governo provincial dentro da comuna Cte. Vilinga, o soba representa a comunidade de S. José perante a Administração comunal.

Serviços básicos
Educação
Existem duas escolas das quais uma estatal a Escola 142, que não tem carteiras nem tecto e outra missionária da Fé Apostólica.

Porém existe um número (não apurado) bastante elevado de crianças em idade escolar que estão fora do sistema do ensino devido dois factores:
Pela existência de um número reduzido de sala de aulas.
Pela nova reforma do sistema do ensino pois o mesmo reduz a possibilidade de enquadramento de novos professores.

Saúde
Em caso de enfermidade os residentes têm recorrido a um único centro de saúde estatal e a dois postos médicos privados 1 da igreja da fé apostólica outro de um particular todos eles legalizados. Não existem núcleos de saúde que têm educado as comunidades sobre o saneamento básico do meio

Água
Há canalização, mas só em algumas partes de S. José, está em estudo um novo levantamento para a reparação da canalização de água. Regista-se no bairro um total de 8 manivelas muitas delas em estado de degradação.

Energia
O bairro todo carece de energia eléctrica, os chefes tem feito de tudo para obter a energia eléctrica, mas a situação não evolui até os dias de hoje.

Movimentos migratórios
Há muita gente a sair do bairro e voltam para as suas áreas de origem; rara é a entrada de gente nova no bairro.

Sucessão do soba
Nos “kimbos”14 era por sucessão hereditária. Hoje é por mérito, o soba é eleito por consenso.

Perspectivas da comunidade
Melhorar o abastecimento de água (cacimbas ou água canalizada)
Conseguir o fornecimento de energia eléctrica,
Construção de escolas do 3º nível e acrescentando escolas para o 1º nível.
Melhorar as estradas do bairro em toda sua extensão
Melhoramento dos meios de transporte
Construção de postos médicos,
Construção de lavandarias e fontanários de água
Banir as construções anárquicas,
Fazer a remoção das moradias construídas sobre a conduta de água.

Conflitos e forma de resolução
Na região registam-se alguns conflitos entre os marginais e populares que circulam a noite. Assaltos a residências. Não existem conflitos de terra, mas existem conflitos de casas, os da unita estão a vir alegando que a casa é dos pais deles e estabelecem dias para os actuais “donos” se retirarem, provocando muitas das vezes discussão de risco.

Os conflitos são encaminhados para o soba que por sua vez dá a devida solução nestes casos.
À Coordenação do MPLA são encaminhados problemas que têm a ver com as residências.
Ao Soba são encaminhados conflitos como: espancamento, porém toda a acção de que resulta ferimento não é da competência do soba, roubos que são resolvidos pagando uma indemnização.

Adultério:- o esposo é que estipula e exige uma multa, caso não for paga o soba encaminha o caso para a polícia.

Se uma mulher engravidar numa acção adultera só é julgada depois do parto.

Feitiçaria: – caso não se prove a feitiçaria caberá ao queixoso pagar uma multa que pode ser 1 cabra, 1 galinha e 2 garrafões de bebida. Não pode ser feito o orçamento em dinheiro.

Igrejas na região
Católica ( maioritária)
Protestante
Baptista
IESA
Testemunhas de Jeová
Adventista
Adventista Reformada
Apostólica
Cheia da Palavra de Deus

Actividades Sociais
Caritas dá apoio alimentar aos necessitados
Igreja Protestante – faz donativos de roupa para os mais necessitados

Organizações comunitárias
Existem apenas as parteiras tradicionais, não há promotores de saúde.

ONGs que operam no bairro.
As ONGs não operam no bairro. No tempo dos conflitos o PAM e CICV, durante dois meses apoiaram as comunidades. A DW cobriu algumas manivelas num total de duas.