Associação dos Naturais e Amigos da Província do Huambo

HUAMBO - Cidade Viva!
Downloads Inscrição na Newsletter Huambo Digital Marvirtual
¤

Filosofia e identidade entre os BANTU

UM POVO GUIADO PELA SOLIDARIEDADE E PELO ACOLHIMENTO

Companheiros,

kassoma.jpgGostaria de fazer uma pequena partilha, assente na minha crença de que os povos africanos e a sabedoria ancestral encerram uma natureza profundamente filosófica. Infelizmente, existe a tendência de assimilar o conceito de civilização à sua acepção ocidental. Falando da profundidade e do lastro filosófico dos nossos povos, queria partilhar convosco o facto de a própria designação dos povos africanos conter notas básicas da sua cultura, dos valores que defendem, e do seu modo ser e estar. Por exemplo: UMBUNDU, KIMBUNBU, são expressões de identificação de algumas das comunidades BANTU presentes em Angola, também usadas para designar a língua falada por estes segmentos do povo angolano.

Particularidade curiosa, que me parece digna de nota, é que qualquer dessas designações significa “Homem negro, a modo de ser e de estar do homem negro, as características próprias do homem negro”. Claro que o conceito de negro destas designações não deve ser entendido na sua acepção estritamente genética, mas do ponto de vista cultural. Neste sentido, negro quer dizer alguém que faz parte da comunidade.

Deste modo, não se pode defender que um angolano branco, por exemplo, não possa fazer parte dos povos UMBUNDU, KIMBUNDU, KIKONGU, COKWE ou qualquer outro grupo que compõe a nação angolana, desde que aceite, respeite e cultive o modo de ser próprio destas comunidades. Dificilmente poderia ser dito sobre uma pessoa que (re)nega esses valores e princípios (ainda que adaptados aos tempos actuais) e sinta vergonha de ser africano, independentemente da sua tonalidade pigmentária. Estes fariam parte de uma outra categoria de angolanos. Assimilados é a figura conhecida que mais se aproxima a esta categoria, mas esta designação era usada pelo Estado Novo Português. Nos dias de hoje, não vejo que termo usar.

Forte abraço,

António Kassoma “Nguvulu Makatuka”

  1. Sissimo 12.06.08 - 09:55

    O tema e a reflexao, que nos propoém carissimo Kassoma, sao de grande valor filosofico e antropologico, espero que esta seja apenas a primeira parte de um trabalho que estas a fazer para posteriormente propor a nòs os leitores. Um abraço e força. Aguardo com atençao outras dicas com este mesmo tema

  2. Guido 12.06.08 - 10:23

    Fizeste me lembrar um anuncio publicitario de uma radio sulafricana ( YFM, se nao me engano). Eram varias caras ( a de um albino destacava-se e havia uma voz off que dizia qualquer coisa como ” what makes you black? Is the colour of your skin … tha colour of your eyes” … e penso mesmo k como tu, nao sei bem que termo usar so sei k ja pensei um monte nestas coisas e prefiro ficar a espera do teu proximo artigo para me ajudar a reflectir.

  3. Lino 12.06.08 - 11:56

    Guido amigo, toda a merecida felicidade por este teu dia Especial!
    Do extremo-Sul brasileiro, o meu fraternal abraço!

  4. Guido 12.06.08 - 14:03

    Obrigado meu Amigo!

  5. Luvinda Jerónimo 12.06.08 - 19:19

    Caro Makatuka. A tua reflexão é bastante profunda. De facto, não há mal nenhum em existir (e existem)brancos ovimbundos ou kimbundos, desde que (como bem lembrado, respeitem o modus vivendi destas comunidades. Não me vou alongar nos comentários… Prefiro aguardar pela parte II. Só para lembrar, já estava com saudades das reflxões deste escriba.

  6. Rogério Martins Rodrigues 13.12.08 - 21:04

    Perante as palavras “tão sábias” como as de Kassoma, só posso expressar um Forte
    BEM HAJA !!!

    Continue, que o que apresenta tem os valores mais altos e sublimes que a “ética” pode comportar.

    Parabéns !!!
    Rogério

  7. Armando Caíca 25.03.09 - 09:23

    Paz e Bem
    ”penso logo existo”… e outros, são dizeres que alteraram necessariamente o rumo da história e da filosofia não africana. Muitos, ainda hoje, se indagam sobre a possibilidade e/ou execuibilidade de uma filosofia africana. Creio viável e possível…por isso estou contigo, caro António, já é altura de produzirmos a nossa literatura e filosófica. Parabéns

  8. Simao Pascoal Hossi 28.06.09 - 21:41

    Ola, na verdade o nosso amigo ,irmao e companheriro,nos traz uma reflexao esaustiva e que nos faz repensar cada vez mais na nossa realidade filosófica Banto étinicos e razao pela qual sua reflexao é boa e os meus parabens, acompanhando a distancia fora do ,isto é do Estado de Sao Paulo Brasil e peço a que ler primeiro esta ,ensagem para informar o Tíjo,que precisso com urgencia que ele me contacte por email.

    Simao Pascoal hossi

  9. João Pedro 02.07.09 - 12:44

    Que análise incorrecta.Esta forma de definir assim as etnias está ultrapasada.Hoje fala-se de minorias e maiorias.

  10. manuel antonio 23.09.09 - 11:33

    precisazamos conhecer mais as etnias para surja a verdade historia do nosso país.

  11. manuel antonio 23.09.09 - 11:36

    Escreve muito mais, estamos juntos

  12. Elves Afonso Timane 31.03.10 - 14:12

    com vista a superar o pensamento ocidental penso que todo negro em particular nos africano temos que ler a nossa negritude do mundo contemporanio com aquela visao que eduardwil mund blayden orou, mais do que negros somos produtos da historia que envolve a tragetoria da quilo que chamamos primeiro mundo, nao devemos protestar sobre o que ja si sabe pois e inutil pensar que aciencia nao nasce da europa, mas sim devemos pensar que a contextualizacao dos nossos saberes sao produto glorioza da nossa primasia

Mensagem / Comentário




Subir


Marvirtual - Serviços de Internet Copyright © 2006 Huambo Digital