Corpo de operário de Viseu há quase duas semanas para ser transladado
Texto deEmília Amaral / Ana Filipa Rodrigues Fotos de Nuno Ferreira
O corpo de um operário de Mundão, concelho de Viseu, que no dia 2 de Agosto morreu num acidente de viação em Angola, está há dez dias para ser transladado. Só na terça-feira, dia 12 o Consulado Português em Angola confirmou família a transladação “até ao final da semana”.
A família, “revoltada” pelos contornos “estranhos” deste caso, conta que teve conhecimento da morte do trabalhador, quando a mulher lhe fez um telefonema. “Eu telefonei no dia do acidente, alguém atendeu o telemóvel e disse que o meu marido estava morto”, recorda a mulher da vítima, Idalina Duarte, de 36 anos. “Os patrões não sabiam de nada. Nós telefonámos para eles, disseram que iam confirmar, mas diziam sempre que ele estava bem, enquanto a testemunha do acidente me dizia que ele estava morto”, acrescenta.
A partir desse momento, a família do operário diz ter-se desdobrado em telefonemas, inclusive para a empresa portuguesa para quem trabalhava a vítima, mas ninguém resolvia o problema da transladação do corpo. “O corpo do meu irmão era para ter chegado na quinta (7 de Agosto), depois no sábado (9 de Agosto), depois já era na segunda (11 de Agosto) …”, denuncia a irmã do trabalhador, Fátima Costa.
Depois de muitos contactos, os familiares decidiram telefonar para o Consulado Português em Angola que, “inicialmente não sabia de nada”, mas na terça-feira, dia 12, de acordo com Fátima Costa confirmou ter “tratado de tudo e que o corpo chegava esta semana”.
Carlos Manuel Cristo Duarte, de 38 anos, operador de máquinas, residente em Mundão, casado e pai de cinco filhos menores, foi para Angola a 2 de Fevereiro deste ano com um visto de três meses. “Não sabemos se tinha contrato. A minha cunhada não recebe dinheiro do marido há dois meses. Suspeitamos que o meu irmão estava ilegal”, divulga Fátima Costa.
Carlos Duarte terá morrido num acidente de viação em Huambo, tendo o corpo permanecido até quarta-feira, dia 6, e depois levado para Luanda, para ser autopsiado.
Os familiares mostram-se revoltados com a situação da morte de Carlos Duarte e admitem ir “até s últimas consequências para apurar responsabilidades”. A mulher, funcionária do Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu, com cinco filhos menores está a sofrer com a morte do marido, além de ficar numa situação difícil, uma vez que Carlos Duarte era o sustento da família.
ed. 335, 14 de Agosto de 2008 (Jornal do Centro)



