Carta do Beto “Um recados aos CALUBAILUNDO”
A mudança de um indivÃduo de um meio para outro, acarreta consigo uma série de consequências sociais capazes de afectar o modo de vida e o comportamento das pessoas, seja em que circunstancias que ela ocorrer.
A adaptação do individuo ao novo meio tem muito haver por um lado com a pequena e ou grande diferença do meio em que ele/ela esteve inserida (saiu) e por outro lado com a capacidade de resposta ao novo ambiente. Independentemente das circunstancias em que esta mudança ocorrer nunca devemos ignorar o factor climático – embora este seja externo.
Assim que chegamos nas grandes cidades procuramos logo restabelecer o nosso circuito de amizades com pessoas da banda e fazer novas amizades – com predominância novos companheiros de trabalho e vizinhos…. Realmente vizinhos, como na banda (interior do Pais) que se tornam famÃlia, em Luanda (!!) so existiu no século XVIII.
Meus BROCHO’s (amigos do peito) que chegaram a Luanda após do conflito pós eleitoral viraram uns autênticos SARDINHAs – Bailundo desassociados aos seus hábitos, costume e estabelecem prioridade nas amizades em detrimento dos interesses. Para eles, o conceito de famÃlia é nuclear – constituÃdo por mulher e filhos, do resto são parentes. Para muitos a mãe passa a ser chamada de velha (chata e rabugenta) ou feiticeira.
Aos amigos e parentes, começam por mentir a morada, nunca mostram a casa – pensando que vais lhe chatear nas horas de necessidades e quando ligas (telefone) para eles estão a dizer que encontram-se sempre ocupados ou passam a ligação para outra pessoa pedindo para dizer que não esta!!! Outros ainda não usam os terminais telefónicos que dão aos parentes….Risos, risos. Dizendo estes provincianos (o anterior amigo do peito) – pessoa que comiam cuta (juntos) quando eram crianças, dizendo são chatos e se for uma tia/tio é brucha/brucho ou porque é da UNITA. Risos…………..
Muitos CALUBAILUNDOS, quando tem os familiares (incluindo os Pais) em casa hospedados, pedem para fazer um chá com pão no jantar e na altura da refeição os Pais comem no quintal, porque acham que estes não são dignos de serem servidos na mesa com a nobre famÃlia que acabou de constituir! Os familiares são atendidos no quintal..
Cada dia escuto histórias de comportamento dos CALUBAILUNDO e algumas dessas eu as vive. A mais recente que aconteceu comigo, foi com um brother dos anos 80 que se encontra em Luanda em serviço, pede a ele uma boleia e ele disse-me não tem maca, os cambas são para isto, na hora H (momento combinado) ele passou o telefone dele a um rapaz para dizer que ele saiu e deixou o telefone….. As pessoas devem e têm de ser mais serias quando não é possÃvel, dizem mesmo não da.
A destruição dos valores da famÃlia e a perda de consideração pelos outros vem ganhando corpo entre os Bailundos que vivem em Luanda. Antigamente quando se fala de Bailundo, dizia gente respeitosa, humildes e dedicados (chegando mesmo a serem considerados como inteligentes), enquanto que hoje em dia são piores que os CALU (gente que nasceu em Luanda e ou em Catete), devido a falta de respeito pelos outros e o não reconhecimento das suas origem sócio-culturas…. A estas pessoas que perderam os valores de famÃlia, devido o EU e a POSSE, vivem em Luanda e nasceram no Huambo trato-os de os CALUBAILUNDO.
Um amigo meu, quando esteve no Huambo em visita aos avos, a cerca de 4 (quatro) anos atraz disse-me, o Fulano (desculpa não vou citar nomes) do Governo é primo irmão da minha mãe e ele cresceu em casa dos meus avos, cerca de 9 anos – pais da minha mãe, quando liguei para ele, identifiquei-me e de seguida ele disse : QUEM TE DEU O MEU NUMERO DE TELEFONE? Disse-me que conhecia vagamente os meus avos e que não poderia lhe atender porque estava ocupado. Este é um CALUBAILUNDO, porque esquece os parentes e nega a FAMILIA.
Aos CALUBAILUNDO, muitos sucessos e tudo de bom para vocês… A grande certeza é de que estaremos juntos na casa do senhor; já que no funeral da tia Maria (irmã da mãe) não iras porque não faz parte do teu/vosso léxico famÃliar.
Autor: Ildeberto Candumba (Betroith)
Luanda aos 15 de Outubro de 2006



