As Oliveiradas de um Gonçalves
(Parte 2)
Quando em dadas circunstâncias surgimos a público, por intermédio deste jornal ( Jornal dos Desportos), com uma matéria sob este título, julgamos que não teríamos ulteriormente mais motivos para voltar a carga. Afinal, estávamos ledamente enganados. Não é que o «coach» da selecção angolana de futebol, que atende pelo nome de Oliveira Gonçalves, voltou a dar a luz a declarações públicas que visavam tão-somente brigar com a nossa inteligência e insultar a nossa temperança.
Com que então aquela exibição patenteada pelo combinado nacional frente aos «cranes», denominação oficial da selecção ugandesa de futebol, foi de encher os olhos e a melhor que já deu a ver aos amantes do bom futebol, nesta fase de pré – apuramento para o mundial?! Será que o treinador da selecção de todos nós assistiu mesmo ao jogo Angola – Uganda como nós outros?! Ou por uns minutos o homem deu consigo algures no estádio Saint Jacob Park, em Basileia – Suíça, a contemplar uma partida de futebol de elevado nível do EURO – 2008?! Vai daí ter confundido o jogo protagonizado pela equipa que dirige! Parece-nos oportuno avançar algumas informações de geografia e de realidade ao nosso treinador. Caríssimo, saiba que o jogo entre Angola e Uganda, do passado domingo, dia 21 de Julho de 2008, teve lugar na cidade de Luanda, capital de Angola, na sua parte baixa, no Estádio Municipal dos Coqueiros, sito no bairro com o mesmo nome. E mais, o nosso comportamento em campo foi confuso, sem brio e sofrível.
Impõe-se que raciocinemos sobre essas três facetas que revestiram negativamente a performance da nossa equipa no terreno de jogo. Dizemos que a equipa esteve confusa, uma vez que não conseguimos constatar a necessária relação entre os sectores, sobretudo entre o meio – campo e o ataque, o que levou ao desgaste antecipado e falta de produtividade dos avançados. Outros factores de confusão prenderam-se, por um lado, na alteração da dupla de avançados, porque a “dupla dos amores” – Flávio Amado e Love Cabungula – tem rotina suficiente para entrar logo de início. Por outro lado, na hesitação em apostar no garoto Job para constar do team inicial, a julgar pelo excelente momento de qualidade futebolística que atravessa. A ausência de brio do conjunto nacional derivou da incapacidade de imprimir o nosso ritmo e a nossa passada ao jogo, nem mesmo as tentativas de rasgos individuais lograram positivo. Agora, a afirmação de que a nossa postura foi sofrível assenta no facto de termos sido dominados, de certo modo, na nossa própria casa pelos ugandeses, que demonstraram aos olhos de todos ter bastante personalidade e que a vitória conseguida sobre nós, na jornada antecedente, não decorreu de circunstância fortuita.
Dito isto, só resta adicionar que uma equipa marcada pela nota da confusão, da falta de brio e da sofribilidade não pode, nem um pouco mais ou menos, ter feito um dos melhores jogos da sua história! Por isso, mesmo sem nos especializar em futebol, mas como meros treinadores de sofá ou de poltrona, estamos em condições de dizer ao senhor Oliveira Gonçalves que ele esteve errado ao avaliar o jogo como fez. Só não sabemos a quem ele quis vender aquela banha de cobra!
Apoiado na generosidade do nosso povo, no sentido de oportunidade dos nossos governantes e na motivação que havia sido conquistada, fruto das vitórias bem conseguidas de início, estamos neste lugar a incentivar os bravos palancas e a equipa técnica para encarar de frente e com realismo as próximas contendas, pois, e ainda bem, nem tudo está perdido.
F. Batalha
(Texto publicado na edição de Sábado, 29 de Junho de 2008)



